terça-feira, 15 de dezembro de 2009

NATAL ONTEM, NATAL HOJE (CRÔNICA)


Foto: Fabiana Lange / Presidente Getúlio, SC

Antigamente, as coisas eram bem diferentes, inclusive no natal. Lembro como se fosse hoje, da mamãe esperando o dia certo para enfeitar o pinheiro e decorar a casa com os enfeites natalinos. O dia era 6 dezembro, quando se iniciava o tempo do Advento.
Para nós, nada disso importava. Enfeitar o pinheiro de natal era mágico: aquelas bolas de cristal colorido, vindas em caixas de fino papelão. Mamãe as têm guardadas até hoje! E o que falar dos chocolates que colocávamos em nossa árvore natalina? Nossa! Eram lindos pedaços do doce, embrulhados em papel colorido, os quais deveriam ser saboreados apenas no dia do natal.
Outra lembrança que faz o riso vir fácil ao semblante, é a recordação de minha mãe e minha avó fazendo os delicados biscoitos produzidos nessa época. A família toda se reunia para realizar essa tarefa. Aquele creme branco, feito do mais fino açúcar era passado no biscoito mais crocante. Para as crianças, sobrava a parte mais gostosa: lamber o resto da cobertura restante e também confeitar os doces com açúcar colorido. Quilos de doces espalhados por toda casa, e esses sim, poderiam ser saboreados durante todo o Advento, sem ter que esperar.
Lembro que também íamos à Igreja, não todos os domingos, mas com mais freqüência. O que valia não era ir à missa somente, mas sim, fazer o bem durante todo o ano, ajudar a quem necessitava, doar as roupas e os brinquedos que não queríamos mais. Juntamente com a limpeza dos armários, também fazíamos uma “faxina” em nosso coração.
E no dia do natal? Na véspera, nos reunia-mos em família e fazíamos uma bela ceia. Todos agradeciam pelo ano que tiveram, rezavam e depois comiam uma deliciosa comida feita com todo amor durante todo o dia. Após a ceia, era a hora dos presentes: Papai Noel havia passado durante o jantar!
Os presentes variavam: eram bonecas, roupas, bolas. Coisas que despertavam a nossa infantil imaginação, coisas que nos permitiam pensar, criar e viver intensamente cada minuto de nossa juventude. Nós realmente vibrávamos com as surpresas e as alegrias que o natal trazia. Porém, não nos iludíamos.
Logo na manhã seguinte, nossos pais nos acordavam, e desejavam feliz natal. Isso queria dizer que o Salvador havia nascido, que estávamos celebrando o nascimento de Jesus Cristo, puramente. Era muito especial tomar o café da manhã com esse sentimento bom no coração. Os tios, primos, vizinhos e parentes, apareciam em nossa casa e sempre degustavam um chocolate ou um pedaço de panetone, enquanto todos conversavam.
E hoje? O que vemos nas ruas e na televisão é um retrato diferente. Vemos crianças que não sabem o que realmente é o natal: sabem apenas que ganharão presentes muito bem empacotados. São crianças, não têm culpa.
Muitos pais, preocupados com a grande ceia do natal e com os convidados que receberão, acabam não contando aos filhos a história do primeiro natal, quando José e Maria penavam para encontrar um local onde o menino Jesus pudesse nascer.
Apesar de tudo, ainda se há consciência de que o natal é o período do perdão, da solidariedade e da ajuda ao próximo. Ainda se há noção de que essa é a única época do ano em que as pessoas se olham de um jeito especial, esquecem as desavenças e se deixam levar por esse sentimento diferente.
E então, caros amigos, que bom que existe o natal. Já pensou se não houvesse essa festa? Seria a mesma coisa o ano inteiro: a paz lutando para sobreviver em um mundo de guerra.
E você? Qual sua melhor lembrança de natal?

Por
Fabiana Lange
www.blogdaoktober.blogspot.com

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